Com crise na Venezuela, RS vê queda nas exportações

Crise venezuelana acende alerta no setor


O agravamento da crise política na Venezuela, no início de 2025, levou a Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) a divulgar um relatório sobre os impactos comerciais com o país vizinho. Segundo o levantamento, os efeitos sobre o agronegócio gaúcho tendem a ser limitados, mas demandam atenção ao setor energético e ao fornecimento de fertilizantes.

Segundo dados divulgados pela Farsul, a participação da Venezuela nas exportações brasileiras recuou progressivamente ao longo dos anos, refletindo instabilidades políticas. Entre 1997 e 1998, no governo Caldera, as exportações do Brasil cresceram 66% em valor. No período Chávez (1999-2013), o aumento foi de 25%. Já sob a gestão de Nicolás Maduro (2013-2025), os números passaram a cair, registrando retração de 13% no valor exportado e de 4% no volume.

Em 2025, a Venezuela respondeu por apenas 0,4% do total exportado pelo Brasil. No caso específico do Rio Grande do Sul, a participação foi de 0,6% em valor (US$ 85 milhões) e 0,9% em volume (186 mil toneladas). O relatório evidencia que, apesar de histórica, a relação comercial entre os dois territórios perdeu relevância no cenário atual.

arroz é uma das exceções. A Venezuela continua sendo um dos principais destinos do cereal gaúcho, com destaque em 2025: dos US$ 390 milhões exportados pelo estado, US$ 50 milhões (13%) foram destinados ao país vizinho. Em volume, a Venezuela importou 1,06 milhão de toneladas, o que equivale a 16% do total embarcado pelo RS — posicionando-se como o segundo principal destino do arroz produzido no estado.

Outro ponto levantado no relatório é a influência indireta da crise venezuelana no setor de fertilizantes. O custo desse insumo agrícola está fortemente ligado ao mercado de petróleo. Embora a Venezuela tenha baixa participação nas importações brasileiras — apenas 0,9% do valor total (US$ 126 milhões) e 0,77% do volume (320 mil toneladas) —, o país ocupa a 16ª posição entre os fornecedores do insumo ao Brasil. Houve ainda uma queda de 20,6% no valor e de 35,5% no volume desses produtos em relação a 2024.

De acordo com a análise da Farsul, o impacto direto da crise sobre o agro brasileiro é limitado. No entanto, o relatório destaca a importância de monitorar o cenário, principalmente quanto à volatilidade dos preços do petróleo, que pode afetar os custos de produção agrícola.

AGROLINK – Aline Merladete

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