Painéis demonstraram tendências de ampliação do mercado para o trigo
As novas oportunidades de mercado criadas pelos cereais de inverno para formulação de rações e investimentos em fábricas de biocombustíveis foram destaque no 11º Fórum Estadual do Trigo, realizado na quarta-feira, 11 de março, no Auditório Central da Expodireto Cotrijal.
As variabilidades econômicas, projeções e benefícios do grão também foram debatidos durante o evento. O Fórum do Trigo é uma promoção da Cotrijal, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul e da Câmara Setorial do Trigo do RS. Na abertura do evento, o subsecretário de Irrigação do Estado, Márcio Amaral, esteve presente representando o secretário Edivilson Meurer Brum, da Seapi/RS.
Produção de ração animal
As oportunidades de mercado para os cereais de inverno foram abordadas pela pesquisadora Teresinha Marisa Bertol, do Centro Nacional de Pesquisa da Embrapa Suínos e Aves/SC, com ênfase nas demandas que surgem através da insuficiência do milho para o mercado interno. “Os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina precisam buscar alternativas para a ausência do milho, e nesse contexto, os cereais de inverno podem ser a solução para produção de rações”, explicou Bertol.
Dados técnicos apresentados pela pesquisadora apontam que há viabilidade para isso, sem perder qualidade das rações e sem alterações significativas para os animais, ou seja, há um equilíbrio que possibilita que alguns cereais se tornem uma opção viável.
Bertol entende que há uma oportunidade de mercado para o trigo no universo dos “Cereais FEED” – grãos cultivados e processados prioritariamente para a alimentação animal, mas salienta que é uma opção diferente dos mercados tradicionais do milho.
Biocombustíveis
A produção de etanol e subprodutos como glúten, “Grãos Secos de Destilaria com Solúveis – DDGS na sigla em inglês – e dióxido de carbono (CO²) podem se tornar alternativas futuras para o mercado do trigo. O painelista Leandro Luiz Zat, vice-presidente de Operações na Be8, explicou que atualmente a demanda por esses produtos é atendida somente através de importações.
Além disso, a instalação de novas indústrias de produção de biodiesel deve aumentar a demanda pelo trigo, possibilitando novos mercados, além dos moinhos e exportações. Neste contexto de investimentos no setor, empresas têm trabalhado na genética do grão para melhorar o produto e gerar mais proteína.
Com isso, o país irá precisar de um volume ainda maior de produção, o que pode ser uma oportunidade para o agricultor. “É um trabalho a longo prazo que deverá ampliar as opções de comercialização para os produtores”, destacou Zat.
Para finalizar a primeira parte do fórum, os painelistas Teresinha Marisa Bertol e Leandro Zat responderam questionamentos conduzidos pelo diretor-executivo da Fecoagro/RS, Sérgio Luis Feltraco.
Mercado externo
A terceira parte do 11º Fórum Estadual do Trigo foi conduzida por Elcio Bento, economista e especialista em trigo da Safras & Mercado, que apresentou uma análise da conjuntura do mercado para o ciclo 2026/2027.
Durante a exposição, Bento ressaltou que o mercado brasileiro de trigo está diretamente conectado ao cenário internacional, sendo influenciado pelo comportamento da produção, das exportações e das importações em outros países. Fatores geopolíticos e condições climáticas globais também exercem impacto nas projeções e nas dinâmicas de oferta e demanda.
Segundo o economista, a tendência para a próxima safra de trigo é de redução na produção, cenário que pode resultar na elevação dos preços e no aumento das importações pelo Brasil.
Entressafras
A importância estratégica do trigo foi o assunto do painel conduzido por Giovani Stefani Faé, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, e Tiago de Andrade Neves Horbe, agrônomo e pesquisador em Manejo de Culturas na Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL) e Rede Técnica Cooperativa (RTC).
Os painelistas destacaram, com base em resultados de pesquisas e experiências de campo, a importância de enxergar o sistema produtivo de forma integrada, planejando as safras agrícolas ao longo de todo o ano. Nesse contexto, o manejo estratégico de culturas de inverno e verão, aliado ao aproveitamento das janelas de entressafra, foi apontado como um fator fundamental para melhorar a eficiência produtiva e a sustentabilidade do sistema.
Segundo Giovani, a viabilidade desse planejamento está diretamente ligada aos efeitos positivos que determinadas culturas proporcionam ao solo. “A viabilidade se encontra nos benefícios que a manutenção de nutrientes e a melhoria das condições biológicas do solo podem gerar para a próxima safra”, explica. Tiago complementa destacando o papel do trigo dentro desse sistema. “O produtor que investe em trigo e consegue ao menos empatar economicamente já está em vantagem, porque contribuiu para a preparação do solo e criou melhores condições para o desempenho da safra de verão”, afirma.
Na avaliação dos agrônomos, o avanço da triticultura passa necessariamente pela adoção de tecnologias e pelo aprimoramento do manejo. O investimento em inovação, cultivares mais adaptadas, práticas de manejo e foco na qualidade do grão são caminhos para aumentar a competitividade da cultura, agregando valor à produção e ampliando as oportunidades de mercado para o produtor.
O Fórum do Trigo foi concluído com perguntas aos apresentadores Giovane, Tiago e Élcio Bento, com a moderação de Tarcísio José Minetto, Coordenador da Câmara Setorial do Trigo do RS.
Por Crystian Carniel | Assessoria de Imprensa Expodireto Cotrijal













