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Flávia Stefanello

Estuda Teorias e Metodologias da Educação em Instituto Federal do Rio Grande do Sul

Estudou na instituição de ensino Mestranda em Bioexperimentação UPF 2013

Estudou na instituição de ensino Ciências Biológicas - UPF

Estudou na instituição de ensino Universidade De Passo Fundo

Altas temperaturas e os reflexos no solo

23 de março de 2018 - 14:09

Altas temperaturas e os reflexos no solo

É chegada a estação mais quente do ano, e não somente o homem sente os reflexos das altas temperaturas, mas os animais, plantas e solo também. O solo é um elemento de extrema importância na natureza e tem papel importante no sistema climático. Depois dos oceanos, é o solo o maior armazenador de carbono. Além disso, o solo apresenta funções estruturais, dando suporte físico aos ecossistemas e constitui várias funcionalidades ecológicas, como a produção biológica e a regulação do ciclo hidrológico de superfície. Ao se tratar dos benefícios que o solo traz ao homem, podemos citar alguns aspectos bem importantes: os solos oferecem recursos naturais, são fonte de matéria-prima para a construção e indústria cerâmica e também são fontes de nutrientes e água para as atividades voltadas para a agricultura e pecuária.
Nessa época do ano, o clima é mais seco e as temperaturas são elevadas durante períodos longos, a consequência é o desenvolvimento das plantas, que é prejudicado. Quando ocorre a diminuição de umidade no solo as cultivares costumam sofrer estresse hídrico, o que resulta em uma paralisação do desenvolvimento da planta. As raízes sentem dificuldade em se desenvolver, e o solo fica superficialmente compactado, apresentando grandes volumes de torrões e a descompactação se torna bem difícil, tanto o avanço quanto a finalização do plantio é impactada de forma negativa.
Existem formas alternativas que auxiliam o agricultor a evitar que isso ocorra. Uma dessas formas é a cobertura térmica. Esta é capaz de modificar o regime térmico do solo, podendo aumentar ou diminuir a temperatura.

Principais benefícios do uso de cobertura do solo
• Promover a formação de cobertura vegetal, impedindo o impacto direto das gotas de chuva no solo e quebrando a energia cinética da chuva e, com isso, diminuindo a erosão do solo especialmente em terrenos com maior declividade e, em consequência, protegendo as fontes de água de assoreamento e contaminações e, o mais importante, diminuindo os riscos de enchentes e enxurradas;
• Manutenção da umidade do solo, diminuindo as perdas por evaporação. Pode ocorrer uma redução de até 20% na necessidade de irrigação;
• Aumentar a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento superficial;
• Buscar uma melhor estruturação do solo (melhor agregação, maior aeração), favorecendo os cultivos posteriores;
• Implementar a reciclagem de nutrientes no solo. Através das espécies com sistema radicular mais profundos é possível reaproveitar os nutrientes já perdidos, para serem aproveitados pelos cultivos;
• Melhorar o manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”), cultivando plantas de cobertura com alto grau de competitividade e com isso, economizar capinas. Algumas espécies de adubos verdes (ex.: aveia preta e feijão de porco) ainda tem efeito alelopático sobre as plantas espontâneas (papuã e tiririca ou junça), inibindo-as;
• Aumentar o teor de matéria orgânica do solo, melhorando características físicas, químicas e biológicas do solo. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, tornando os solos argilosos mais “leves” e soltos e, tornando os arenosos com maior retenção de umidade;
. Aumentar a biodiversidade e, com isso, maior equilíbrio ecológico das espécies e, em consequência, menor surgimento de pragas e doenças. A agricultura convencional ao priorizar a monocultura, o uso frequente de agrotóxicos e a remoção da vegetação nativa, reduz a diversidade de espécies causando o desequilíbrio do meio ambiente favorecendo o desenvolvimento de pragas e desfavorecendo os inimigos naturais destas pragas. A cobertura vegetal, além de evitar a erosão do solo, pode servir de abrigo, alimento e local de reprodução;
. Tanto a cobertura morta como a cobertura viva facilita e favorece o plantio direto e cultivo mínimo dos cultivos. O revolvimento excessivo do solo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica e, além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar;
. Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 10oC na palhada de superfície do solo, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia. (FONTE: cultivehortaorganica)
Existem diversas técnicas e alternativas para manejar o solo, essas afim de minimizar os impactos negativos das elevadas temperaturas dos solos tropicais. Na agricultura, essas coberturas servem como protetoras e tem a função de modificar as variações de temperatura no interior do solo, principalmente na região superficial, podendo alterar de forma considerável o ambiente para o desenvolvimento da flora e da fauna do solo. Portanto, é imprescindível que o agricultor dê atenção a todos os elementos que compõe o plantio, principalmente o quesito solo e temperatura, já que a temperatura do solo é um dos cinco fatores essenciais à produção de qualquer espécie vegetal.

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