Suinocultura: Mercado suíno chinês enfrenta cenário desafiador, mas já apresenta sinais de ajuste

ANÁLISE

Embora o volume de animais disponíveis e a produção de carne permaneçam em expansão, a redução do plantel de matrizes indica que os produtores seguem adotando uma postura mais cautelosa diante das condições econômicas da atividade

Assim como no mercado brasileiro, o setor suíno chinês também enfrenta dificuldades para sustentar os preços. O preço médio do quilo do suíno vivo negociado na China fechou julho/26 em 11,22 ienes, queda de 23,47% em relação aos 14,66 ienes registrados no mesmo mês do ano passado. Já a média do quilo da carne suína no país recuou 17,10% no período, passando de 25,21 ienes para 20,90 ienes.

Os dados do setor suíno chinês referentes ao primeiro semestre de 2026 revelam um mercado que continua operando com elevada produção, mas que já apresenta sinais claros de ajuste em sua capacidade de crescimento nos próximos ciclos. Embora o volume de animais disponíveis e a produção de carne permaneçam em expansão, a redução do plantel de matrizes indica que os produtores seguem adotando uma postura mais cautelosa diante das condições econômicas da

Ao final do segundo trimestre de 2026, o rebanho de matrizes da China foi estimado em 37,8 milhões de cabeças, queda de 6,5% frente às 40,4 milhões registradas no mesmo período de 2025. O rebanho está ligeiramente acima das 37,5 milhões de matrizes recomendada pelo governo. Trata-se de um indicador particularmente importante, pois as matrizes constituem a base da reposição de animais do sistema produtivo. A redução observada sugere que muitos produtores continuam eliminando reprodutoras menos eficientes ou reduzindo seus plantéis em resposta às margens financeiras pressionadas dos últimos anos. Esse movimento indica que, embora a oferta atual permaneça elevada, o potencial de expansão da produção tende a ser mais limitado nos próximos ciclos.

Apesar da diminuição do número de matrizes, o rebanho suíno total atingiu 424,91 milhões de cabeças, mantendo-se praticamente estável em relação ao ano anterior, quando somava 424,48 milhões, o que representa ligeiro crescimento de 0,1%. Esse comportamento demonstra que a oferta de animais prontos para o abate ainda não foi afetada de forma significativa pela redução das reprodutoras. Em outras palavras, os efeitos da queda do plantel de matrizes deverão aparecer de forma mais evidente apenas nos próximos meses ou mesmo em 2027.

Allan Maia*

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